“Diz-se na povoação que, em tempos idos, uma princesa moura que aqui viveu se apaixonou tanto por esta localidade, que na terra dela se sentia infeliz e chorava e CÁ RIA, sendo essa a razão pela qual se passou assim a chamar.

História ou lenda, o que é certo é que ainda hoje se fala de mouras. Conta-se que, certo dia, ao passar pelo cabeço de S. Giraldo em Caria, um lavrador encontrou, sentada ao sol ao lado de uns rochedos, uma linda senhora que penteava os longos cabelos negros, tendo algo no regaço. Perguntou ao lavrador se queria, ao que ele, julgando serem figos, respondeu negativamente e continuou o seu caminho.

– Perdes uma grande oportunidade! – Diz a senhora mostrando o que tinha no avental.

É então que o lavrador abre os olhos de espanto e verifica que se tratava de jóias. Nem teve tempo de se arrepender pois, num instante, a misteriosa senhora desapareceu.

Na voz do povo tratava-se de uma moura encantada e as jóias ainda se encontrariam sob os enormes penhascos do cabeço, num local conhecido como Toca da Moura, que tanto é referido como um labirinto (« quem aí se aventurar a entrar, jamais encontrará saída») como passagem secreta com ligação à fortificação das Casas da Torre, o que permitiria a fuga em caso de cerco.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)