“A maioria das edificações importantes construídas em Caria e muitas das casas do Centro Histórico datam do século XVIII, talvez beneficiando da expansão da indústria de laníficios da Covilhã onde, em 26 de Junho de 1764, foi fundada a Real Fábrica de Panos, uma importante manufactura estatal criada por D. José, em consequência da política de fomento industrial do Marquês de Pombal.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)

Igreja Matriz

fotos site 030“A Igreja Matriz deverá ter sido construída por iniciativa de D. Rodrigo quando se fundou a povoação. A Igreja tem como padroeira a Imaculada Conceição.

A fachada principal, de estilo manuelino, sofreu várias remodelações, na última das quais se colocou uma artística rosácea, dentro da qual podemos observar um vitral de Nossa Senhora da Conceição. Antes existia uma varanda, de onde os nobres assistiam às procissões.

A Igreja, de planta longitudinal, tem portal em arco pleno ladeado por pilastras emolduradas e é composta por Baptistério, Corpo da Igreja, Capela-Mor, Coro e duas sacristias (a das Almas e a Paroquial).

O corpo da Igreja, à semelhança das Sés, tem três naves (em honra da Santíssima Trindade) com quatro tramos. O tecto é sustentado por seis pilares toscanos com arcos plenos representando a infinidade de Deus. Adossado ao pilar do lado do Evangelho mais próximo da capela-mor e assente em colina, encontra-se um púlpito rococó com guarda de talha dourada e motivos vegetais.

No tecto da Capela-Mor existem 36 caixotões de talha dourada dedicados a Nossa Senhora.

O Altar-Mor, em talha dourada, apresenta colunas torsas decoradas com pâmpanos e tem as imagens da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, do Menino Jesus, de Nossa Senhora de Fátima e de São José.

Os retábulos colaterais são dedicados ao Sagrado Coração de Jesus (do lado direito) e a Cristo Crucificado (do lado esquerdo). São em talha policromada e o nicho é ladeado por colunas e pilastras que se prolongam em duas arquivoltas com a união a ser feita por um anjo. Na base os retábulos apresentam sacrário com cálice e hóstia, sendo o altar decorado com folhas de acanto.

Nas mísulas colocadas nas paredes laterais podemos ver as imagens de Nossa Senhora do Carmo, São Marcos, são Sebastião, Nossa Senhora das Graças, Santa Eufémia, São João Baptista.

Na sacristia paroquial, onde se guardam os paramentos, encontramos um crucifixo, as imagens de Nossa Senhora Rainha do Mundo, Santa Teresinha do Menino Jesus e São José e um lavabo com um nicho em pedra. O tecto está dividido em 12 quadros dedicados aos Apóstolos que foram mandados pintar pelo pároco António dos Reis em 1807.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)

Casa da Torre

fotos site_012“É uma habitação do século XIV com características arquitectónicas militares. Foi mandada edificar por D. Martinho II, bispo da Guarda e senhor de Caria.

Serviu de residência paroquial no tempo do Padre José Ramos. Muitos dos livros que lá existiam foram cedidos pelo Eng.º Pinto Bastos e transferidos para o arquivo paroquial.

De norte e nascente é cercada de restos das antigas muralhas de defesa deste lugar, havendo também um fosso do lado norte ligado a operações de resistência aos invasores.

De acordo com o seu último proprietário a provável antiga ligação por caminho entre os castros da Serra da Esperança e do cabeço de S. Giraldo que aqui passava terá sido mais tarde aproveitada pela via romana. Para guarda desta terá sido construída no cimo do cabeço de Caria uma torre de vigia sobre cujas ruínas mais tarde os bispos da Guarda mandaram edificar a sua residência de Verão.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)

Recentemente adquirida e remodelada pela Câmara Municipal de Belmonte, a Casa da Torre acolherá um Estudo de Centros Arqueológicos e um centro de Cultura, dispõe ainda de salas para exposições e formação bem como um auditório.

Solar Quevedo Pessanha

“Num dos cunhais deste edifício de estilo joanino encontram-se as armas da família, sendo o brasão, que difere dos que se encontram no interior, encimado por uma figura decepada que ostenta uma bandeira.

O portal e as janelas são em arco abatido com frontão curvo interrompido com concheado central. A concha (ou vieira), símbolo dos peregrinos que percorrem o caminho de Santiago, aparece também no portão.

O solar é constituído por rés-do-chão, 1º andar e sótão.

O rés-do-chão, que depois de 1974 abrigou vários retornados das ex-colónias, funcionou desde1984 até Setembro de 2004, como Centro de Dia, graças à generosidade da família Quevedo Pessanha que já tinha doado o terreno para a instalação do Jardim-de-infância Girassol.

No 1º andar há dois salões grandes, um menor, uma cozinha, três quartos e duas casas de banho, uma das quais de construção recente.

O sótão, bastante degradado, era outrora destinado aos criados.

No interior encontram-se alguns azulejos e os tectos são em madeira trabalhada, alguns deles ostentando o brasão da família.

No jardim do solar, que parece ter sido muito belo, pode ver-se um banco em granito e azulejos.

Segundo informações do Dr. Vasco Quevedo Pessanha, actual proprietário, terá sido construído na primeira metade do século  XVIII.

O solar é vulgarmente conhecido como Casa da Fidalga por se ter transmitido em herança, durante 6 gerações, por via feminina.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)

Palacetes dos Viscondes de Tinalhas

“Na rua Direita nº 13 encontra-se um edifício barroco de dois pisos que é pertença do Visconde de Tinalhas.

Sobre a porta principal observa-se um frontão interrompido, destacando-se ao centro uma pinha, encimado por um óculo.

A sua localização na mais antiga artéria da localidade e em frente da Casa das Caras dão a este imóvel uma importância ainda não totalmente conhecida.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)

Casa da Roda

fotos site_023“A assistência  a prestar às crianças órfãs ou abandonadas começou por ser função das Misericórdias mas, com o agravar da situação no século XVIII, são criadas em diversas vilas e cidades do reino as Casas da Roda com a finalidade de evitar os infanticídios, uma prática que era então frequente.

As crianças eram geralmente abandonadas às portas das igrejas, estando a assistência aos expostos confiada às câmaras dos respectivos concelhos e transitou no século XVI para as Misericórdias, à medida que estas se iam fundando.

As rodas eram uns cilindros giratórios abertos num lado e colocados verticalmente nas portarias dos conventos a fim de se receberem ali objectos sem haver contacto directo com o exterior, preservando assim o anonimato e foi aí que começaram a abandonar as crianças a partir do século XVI. Este costume foi reconhecido oficialmente por D. Maria I por circular de 24 de Março de 1783. Este documento determinava que houvesse Casas da Roda em todas as cidades e vilas do reino situadas em lugar discreto para que os que expunham as crianças o pudessem fazer sem risco de serem reconhecidos; mais acrescentava que aí devia haver sempre uma Rodeira, dia e noite, a fim de poder receber os expostos aos quais era atribuído o nome do santo venerado no dia em que era recolhido.

Nenhum inquérito era feito para encontrar os pais da criança mas estes podiam reclamar em qualquer altura os filhos abandonados. Guardava-se e registava-se tudo o que as crianças traziam. Até aos 7 anos as crianças ficavam entregues às amas, após o que regressavam ao hospício onde permaneciam até aos 12, sendo depois entregues como criados a quem pagasse mais, mas continuavam até aos 21 anos sob a protecção do Juiz dos Órfãos.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)

Casa das Caras

“Faz esquina comDiogo e_bruno_015 a Rua Direita e a Travessa do Poço; é um edifício reconstruído há poucos anos e que ficou completamente descaracterizado, mas que ainda ostenta , embora deslocadas do local primitivo, as cinco pedras originais salientes, tipo cachorros, três ao nível do 1º piso e as outras duas no andar superior; uma delas representa a cabeça de uma serpente e a outra parece representar o nascimento de um homem; por isso se diga em Caria que foi aqui que a vila nasceu.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)

Casa da Câmara

“Fica no número 16 da Rua Direita e apresenta duas janelas muito diferentes na sua arquitectura, o que pode significar  serem de épocas distintas.

A do lado esquerdo apresenta ombreiras biseladas e um lintel quadrilobado com três semiesferas em cada um. Na do lado direito as ombreiras formam colunelos e o lintel é semicircular com dois vãos.

Há quem considere que foi aqui que funcionou a Câmara do Concelho de Caria e há quem defenda que foi na Casa das Caras.”

(Borges, António Albuquerque in Monografia de Caria)